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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

As disciplinas da vida Cristã

Quem serve a Jesus é um discípulo do Senhor, ou seja, alguém que tem uma disciplina a cumprir.

INTRODUÇÃO

- Estudaremos, neste trimestre, as disciplinas da vida cristã, ou seja, o conjunto de ações e atitudes que temos de observar para servirmos a Deus. Quem serve a Jesus é Seu “discípulo”, ou seja, alguém que aprendeu a viver de uma determinada maneira, para que sua vida possa glorificar o nome do Pai que está nos céus (Mt.5:16). “…O verdadeiro discípulo precisa ser uma pessoa disciplinada…” (CHAMPLIN, Russell Norman. Disciplina. In: Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, v.2, p.178)

- Nas Escrituras Sagradas, o cristão é apresentado por três figuras que bem explicam o caráter indispensável da disciplina na vida espiritual: o agricultor, o soldado e o atleta. Todos estes evidenciam, em suas atividades, a necessidade da disciplina na vida diária de cada crente.

I – O QUE É DISCIPLINA

- “Disciplina”, diz-nos o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, é “o ensino e educação que um discípulo recebia do mestre”, “obediência às regras e aos superiores”; “regulamento sobre a conduta dos diversos membros de uma coletividade, imposto ou aceito democraticamente, que tem por finalidade o bem-estar dos membros e o bom andamento dos trabalhos”; “ordem, bom comportamento”; “obediência a regras de cunho interior; firmeza, constância”, palavra que vem do latim “disciplina, ae”, cujo significado era “ação de se instruir, educação, ciência, disciplina, ordem, sistema, princípios de moral”.

- Na Versão Almeida Revista e Corrigida, a palavra “disciplina” aparece por cinco vezes, sendo que, no Antigo Testamento, apenas no capítulo 23 do livro de Provérbios (Pv.23:12,13,23), enquanto que, em o Novo Testamento, aparece em duas oportunidades, em Cl.2:23 e Hb.12:8.

- No Antigo Testamento, a palavra “disciplina” é “musar” (????), palavra que significa “correção”, “instrução”, “castigo”. Nas três vezes em que aparece no capítulo 23 do livro de Provérbios, está relacionada com uma vida regrada, que segue os parâmetros estabelecidos por alguém, seja o próprio Deus (o “redentor forte” de Pv.23:11), sejam os pais (Pv.23:13), sejam as regras sociais cotidianas (Pv.23:23). A propósito, neste último versículo, a disciplina é, ao lado da sabedoria e da prudência, a conseqüência pela compra da verdade, o que nos remete, imediatamente, à circunstância de que a disciplina é o resultado direto pela submissão à Palavra de Deus, que é a verdade (Jo.17:17).

- Em o Novo Testamento, a palavra “disciplina” aparece em Cl.2:23 traduzindo a palavra grega “apheidia” (???????), cujo significado é “severidade”, “tratamento duro”, expressão que o apóstolo aplicara para as práticas ascéticas seguidas pelos gnósticos que estavam perturbando a igreja em Colossos.

- Já em Hb.12:8, a palavra “disciplina” traduz a palavra grega “paidéia” (???????), palavra que corresponde ao hebraico “musar” e cujo significado é “instrução”, “disciplina”, “castigo”. No texto em apreço, o escritor aos hebreus faz questão de mostrar aos servos de Deus que o Senhor nos mantém sob disciplina porque nos ama, porque faz parte do real e verdadeiro relacionamento com Deus a manutenção de uma vida regrada, de uma vida disciplinada.

- O primeiro significado de disciplina é “”o ensino e educação que um discípulo recebia do mestre”. Não é por outro motivo que o Senhor Jesus Se disse o único Mestre (Mt.23:8), porque “disciplina” é o aprendizado junto ao Mestre e somente podemos ter disciplina se aprendermos da própria Verdade, que é Jesus (Jo.14:6). Não há como alcançarmos descanso para as nossas almas, ter paz com Deus se não aprendermos de Cristo (Mt.11:29).

- Ser “discípulo” de Jesus importa em ter uma “disciplina”. Para servir ao Senhor, impõe-se dEle aprender, tê-lO como Mestre, passar a imitá-lO (I Co.11:1), tê-lO como exemplo (I Pe.2:21). Por isso, não há como entender uma vida cristã sem “disciplina”, sem o ensino de Jesus, ensino este que se encontra na Bíblia Sagrada, “porque tudo que dantes foi escrito para nosso ensino foi escrito, para que, pela paciência e consolação das Escrituras, tenhamos esperança.” (Rm.15:4).

- Não se compreende, pois, que pessoas queiram servir ao Senhor Jesus, digam-se “crentes” na atualidade mas não têm qualquer interesse em aprender de Jesus, nem sequer fazem uma leitura devocional diária das Escrituras Sagradas. Tais pessoas são “sem disciplina” e, por isso, não podem ser consideradas como verdadeiros “discípulos” do Senhor.

- O segundo significado de “disciplina” é “obediência às regras e aos superiores”. A disciplina, neste significado, lembra-nos que o ser humano não é senão uma criatura na ordem cósmica. Embora tenha sido criado como a “coroa da criação terrena” (Sl.8:5), o homem não passa de um mordomo do Senhor, ou seja, alguém que tem de se sujeitar a Deus, o único e exclusivo dono de todas as coisas que há no universo (Sl.24:1).

- A disciplina é, portanto, um aspecto da mordomia, pois, em sendo “obediência às regras e aos superiores”, nada mais é que a obediência a Deus, o Criador, Aquele que fez o homem e que lhe determinou um modo, uma maneira de viver. A disciplina envolve, portanto, um modo de viver determinado por alguém superior, em termos espirituais, o modo de viver determinado por Deus aos homens.

- Muitos, equivocadamente, confundem a graça de Deus com a ausência de regras. Acham que o homem só deveria obedecer a regras e mandamentos na dispensação da lei, nos tempos de Moisés e que Jesus, ao trazer a graça e a verdade (Jo.1:17), estabeleceu um modo de vida sem quaisquer regras ou limites. Isto, porém, não corresponde à verdade bíblica, visto que, como ensinou o apóstolo Paulo (e não há, à evidência, no texto sagrado, alguém mais avesso ao legalismo do que Paulo), a vida em Cristo é um “andar conforme a regra” (Gl.6:16).

- Os salvos na pessoa de Jesus têm, sim, mandamentos a seguir, têm um modo de viver distinto, estabelecido e determinado por Deus, o que o apóstolo Paulo chama de “lei de Cristo” (I Co.9:21; Gl.6:2) e que se resume nos dois mandamentos, quais sejam, amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos (Mc.12:31), mandamentos estes concretizados e sintetizados naquele que Jesus denominou de “novo mandamento”, que é o de amar uns aos outros como Jesus nos amou (Jo.13:34).

- Os homens sem Deus e sem salvação não andam conforme a regra, não se amam uns aos outros como Jesus nos amou, mas são “amantes de si mesmo” (II Tm.3:2), que se rebelaram contra Deus e não fazem senão satisfazer seus próprios desejos, confundindo “liberdade” com “libertinagem”, tendo uma “vã maneira de viver” (I Pe.1:18), mal sabendo, porém, que, em sua rebelião, estão assinando a sua própria sentença de morte eterna.

OBS: Recentemente, surgiu mais um “falso cristo”, José Luís de Jesus Miranda, criador do movimento “Creciendo en Gracia”, que tem entre seus “ensinos”, o de que “pecado é não fazer o que se tem vontade”, pois a “liberdade que há em Cristo” ( e ele se diz a reencarnação de Jesus) é “fazer o que se quer”. Esta mensagem absurda tem conquistado milhares de seguidores, porque está bem de acordo com o propósito rebelde do coração humano escravizado pelo pecado.

- A liberdade tem, como contrapartida indispensável, a responsabilidade. Deus nos criou com o poder de escolha, com o poder de decidir o que iremos fazer ou não, mas prestaremos contas de todas estas escolhas e decisões perante Ele, com quem haveremos de tratar um dia (Hb.4:13).

- O terceiro significado de “disciplina” é “regulamento sobre a conduta dos diversos membros de uma coletividade, imposto ou aceito democraticamente, que tem por finalidade o bem-estar dos membros e o bom andamento dos trabalhos”. A “disciplina” envolve, portanto, o conjunto de regras, de procedimentos que devem ser seguidos a fim de que haja  bem-estar.

- Desde quando o homem foi criado, Deus estabeleceu regras ao homem para que ele vivesse bem e alcançasse a felicidade, que é o objetivo que Deus quer a todos os homens, a quem ama com um amor tal que deu o Seu Filho Unigênito para proporcionar a salvação. Quando o homem aceita estas regras, passa a viver conforme a vontade de Deus, alcança esta felicidade, felicidade esta que o texto sagrado chama de “bem-aventurança”, ou seja, uma felicidade além dos limites compreendidos pela limitada mente humana.

- Enquanto o primeiro casal seguiu o regulamento prescrito por Deus no Éden, teve uma vida de comunhão e de delícias, mas, em tendo desobedecido ao Senhor, perdeu esta comunhão, passando a viver separado de Deus, por causa do pecado (Is.59:2). Foi esta separação que Jesus veio desfazer (Ef.2:12-19), mas, além de termos de crer nEle, pois a salvação nos vem pela fé (Ef.2:8), temos, também, de nos submeter à vontade de Deus, ao regulamento, ou seja, termos uma vida disciplinada, sem o que não alcançaremos o fim da nossa fé, que é a salvação (I Pe.1:9).

- Não é por outro motivo que Jesus sintetizou a vida cristã em três atitudes, pois disse: “Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me” (Mc.16:24; Mc.8:34; Lc.9:23). Estas palavras foram proferidas aos “discípulos”, ou seja, a quem quer se submeter à disciplina divina, ao modo de viver estabelecido e determinado por Deus em Sua Palavra.

- A primeira atitude é a de “renunciar a si mesmo” ou “negar a si mesmo”, o que envolve a anulação da própria vontade, o abandono da vontade própria em troca da vontade de Deus. A vida cristã envolve deixar os próprios desejos para que os desejos de Deus sejam cumpridos em nossa vida. Ter disciplina é, portanto, aprender o que Deus quer de nós e cumprirmos esta vontade em nossa existência.

- A segunda atitude é a de “tomar sobre si a sua cruz”, ou seja, assumir as responsabilidades e os encargos que a vida cristã exige, como, aliás, veremos ao longo deste trimestre letivo. Ser cristão é ser servo de Deus e o servo tem um serviço a realizar, tem tarefas a cumprir. Deus não nos chamou para ficarmos ociosos ou para simplesmente nos deleitarmos em momentos de reunião de adoração (como, infelizmente, muitos têm achado), mas, sim, para cumprirmos uma obra que Deus nos confiou, obra esta que deve ser realizada para a glorificação do nome do Senhor.

- A terceira atitude é “seguir a Jesus”, ou seja, tomar as mesmas atitudes, ter o mesmo sentimento, o mesmo pensamento e o mesmo proceder do Senhor Jesus, que nos deixou o Seu exemplo para que fosse seguido (I Pe.2:21). Neste momento é que devemos, como nunca, procurar aprender com o Senhor, mantendo com Ele um contínuo diálogo mediante a leitura e meditação da Palavra e a oração, para que, pelo Espírito de Deus, compreendamos o desejo, a vontade de Deus para as nossas vidas e para que ajamos cada vez mais como verdadeiros “cristãos”, ou seja, “pequenos Cristos”, “parecidos com Cristo”. Foi esta semelhança que fez com que os antioquitas denominassem de cristãos os discípulos em Antioquia (At.11:26).

- O quarto significado de “disciplina” é “ordem, bom comportamento”. Como já dissemos, a disciplina nada mais é que a assunção do modo de viver determinado por Deus ao homem. Nosso Deus não é Deus de confusão (I Co.14:33), de forma que a vida do cristão deve ser uma vida ordenada, uma vida que esteja de acordo com a ordem estabelecida pelo Senhor. O “bom comportamento” nada mais é que o comportamento de acordo com as Escrituras, que a conduta segundo a vontade de Deus. Por isso, o apóstolo Paulo dizia que não mais vivia mas era Cristo que vivia nele (Gl.2:20).

- O quinto significado de “disciplina” é “…obediência a regras de cunho interior; firmeza, constância”. Temos aqui a grande diferença entre o legalismo formalista e a disciplina da vida cristã. A disciplina é algo que vem de dentro, vem do coração do homem, não uma imposição ou uma aparência que não corresponde ao que está no interior. Jesus condenou duramente os fariseus precisamente porque eles construíam uma disciplina baseada na aparência, no aspecto exterior, sem qualquer preocupação numa real transformação interior. Disciplina não é a submissão a regras sob o ponto-de-vista exterior, mas, sim, uma obediência aos mandamentos divinos que tem sua origem no espírito, passa pela alma e atinge, por fim, o corpo (I Ts.5:23).

- A disciplina é a firmeza e a constância, que são fundamentais para se alcançar a vitória sobre o pecado e sobre o mal (I Co.15:57,58). Paulo, no término de sua vida, disse que havia “combatido o bom combate, acabado a carreira e guardado a fé”. O que significam estas expressões? Significam que Paulo, ao longo de toda a sua vida cristã, foi firme e constante. Diante das lutas, que nunca cessaram, manteve sempre o combate, o bom combate, porque era um combate feito com a armadura de Deus, de acordo com as regras estabelecidas pelo Senhor. Acabou a carreira, ou seja, jamais cessou de correr. A corrida do cristão não é uma prova de velocidade, mas, antes, é uma prova de resistência, com todas as dificuldades que existem na manutenção do fôlego e do objetivo de chegar ao final. Guardou a fé, ou seja, em momento algum se deixou abalar, deixou que as circunstâncias viessem a roubar a confiança que tinha em Deus. Esta firmeza aliada à constância é que o levaram a uma disciplina que lhe permitiu chegar ao fim, que é a salvação da sua alma.

Dr.Caramuru Afonso

Um comentário:

António Jesus Batalha disse...

Irmã Roberta é meu desejo que neste novop ano continue muito feliz com Jesus nosso melhor amigo.